Territórios da rede: aqui brota alimento, conexão com a natureza e senso de coletividade

Soberania alimentar e senso comunitário caminhando juntos como política pública

O projeto Implementação de Compostagem Comunitária e Fomento à Agricultura Urbana em Territórios Locais representa, na prática, um dos principais objetivos do Laboratório Terra Orgânica: iniciado em julho, ele replica em três territórios estratégicos da cidade a descentralização da gestão de resíduos através da compostagem. E vai além: cada local terá uma horta comunitária, que, junto com a compostagem, vai oportunizar o desenvolvimento do senso comunitário e o acesso a alimentos de produção própria, assegurando os princípios da soberania alimentar.

A iniciativa foi implementada na Casa de Passagem e Ponto de Cultura Goj Ta Sá (bairro Saco dos Limões), na Escola Comunitária da Lagoa do Peri, mantida pela Associação de Moradores da Lagoa do Peri (ASMOPE, no bairro Armação), e no projeto Vivendo e Aprendendo, que se localiza na comunidade da Maloka (bairro Capoeiras). Conheça cada território. Na prática, o trabalho se desenvolve da seguinte forma: cada um dos três territórios recebeu duas caixas d’água para o manejo da compostagem. Quando a primeira caixa atingir o limite da capacidade, a segunda caixa começa a ser utilizada. Dessa forma, quando a segunda caixa chegar no limite, haverá o composto da primeira já em condições de ser utilizado na horta, que é a segunda etapa do trabalho. 

Os territórios receberam duas caixas d’água para montar a composteira

Começa o plantio

Em paralelo ao manejo semanal da compostagem, cada território preparou um pedaço de chão para receber a horta. Legumes e hortaliças já crescem em solo adubado com o composto produzido com a matéria orgânica gerada no próprio território. Em breve, veremos os primeiros frutos (no sentido figurado, mas também literal) do fechamento do ciclo orgânico e de cuidado com a terra. 

Para operacionalizar todo esse trabalho foi incorporado um agente comunitário por território. Além das atividades operacionais básicas, que envolve a coleta e organização de materiais estruturantes para a compostagem, a construção de canteiros, realização de plantios e de cuidados continuados das espécies em produção, limpeza e harmonização estética do espaço, a pessoa também será capacitada em operação de compostagem e aspectos introdutórios de plantios agroecológicos – ficando habilitada a continuar a atividade no território após o encerramento do projeto ou mesmo a desenvolver a mesma atividade em outros espaços. 

Para operacionalizar todo esse trabalho foram incorporados agentes comunitários

A realização de atividades de envolvimento comunitário, com oficinas artísticas e culturais, e rodas de conversa para troca de experiências, fecha o ciclo de etapas que integram esse projeto. Serão realizados encontros em cada território com participação de toda a rede, fortalecendo vínculos e saberes compartilhados. 

O projeto está sendo viabilizado com recursos provenientes de emenda parlamentar da Mandata Bem Viver através do Termo de Fomento PMF/SMLCP e da parceria 004.112/SMLCP/2025, que fortalecem a compostagem comunitária como política pública em Florianópolis.

Camila Cabrera 
Jornalista MTB 16.528

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