A quinta-feira (27) marcou a participação de novos grupos escolares que vivenciaram a experiência intercultural no Museu Goj Ta Sá. Com essas turmas, o projeto Fomento à Cultura Ancestral em Florianópolis alcança um marco expressivo. Assim, aproximadamente 400 estudantes, de idades entre 4 e 35 anos, passaram pela Casa e Passagem e Ponto de Cultura Goj Ta Sá. Ao longo dos últimos meses, foram vivenciadas experiências educativas construídas a partir dos saberes, modos de vida e cultura dos povos originários.
Nesse contexto, participaram da visita 127 estudantes. Desses, 102 adolescentes, com idades entre 12 e 14 anos, são da Escola Básica Municipal Batista Pereira. Além disso, 25 crianças, de 4 e 5 anos, participaram pelo NEIM Costeira do Pirajubaé.

Território como sala de aula: o roteiro que marcou o projeto
O roteiro de visitação consolidou-se como uma proposta potente de encontro entre escola e ancestralidade. Inicialmente, os grupos iniciaram a vivência com uma recepção e apresentação cultural Kaingang. Em seguida, conheceram aspectos da cultura por meio de palavras no idioma da etnia, como nomes de animais e saudações. Nesse sentido, a atividade guiada pelos professores da comunidade, rompe com narrativas coloniais e apresenta a história indígena pela voz de quem a vive e a preserva.
Em seguida, os estudantes visitaram a agrofloresta do Goj Ta Sá, onde conheceram práticas tradicionais de cultivo, participaram do plantio de mudas nativas e compartilharam um piquenique. As crianças se organizaram em rodas no gramado e tiveram a oportunidade de vivenciar esse momento em um lugar seguro e tranquilo. A partir disso, a atividade proporcionou o intercâmbio entre as crianças indígenas e não indígenas. Assim, ficou evidente que as crianças aprendem umas com as outras. Para a maioria das visitantes, foi a primeira vez em um território indígena. Para os docentes, foi uma oportunidade de dialogar com práticas pedagógicas vivas, que conectam currículo, território, meio ambiente e diversidade cultural.
Feira da Resistência Indígena
Nos dias 13 e 14 de dezembro, acontece a Feira da Resistência Indígena, marcada pelo lançamento do 5º painel que integra a construção do Museu Indígena na Casa de Passagem e Ponto de Cultura Goj Ta Sá. A iniciativa fortalece o Museu Cultura Viva, que por meio de painéis e artefatos apresenta a história e a presença dos povos indígenas do Sul do país.
O projeto é executado pela Associação Indígena Ponto de Cultura Goj Tá Sá em parceria com a Associação Laboratório Terra Orgânica, com recursos provenientes de emenda parlamentar da Mandata Bem Viver, por meio da Secretaria Municipal de Licitações, Contratos e Parcerias de Florianópolis.
Camila Cabrera
Jornalista – MTB16.528