Quando se fala em compostagem comunitária, o debate costuma ser em torno da redução de lixo enviado para o aterro sanitário, menos emissão de gás metano, solo mais fértil, engajamento territorial. Tudo isso são verdades incontestáveis, e o Laboratório Terra Orgânica comprova de forma prática diariamente. Mas há uma camada do debate que precisa ser trazida à luz: a compostagem comunitária também é uma atividade econômica. Ela movimenta recursos, reduz despesas municipais, cria valor social e forma pessoas.
Com as últimas coletas de outubro e início de novembro registrando entre 465 kg e 648 kg de resíduos orgânicos compostados por semana, o LTO já alcança aproximadamente 2,5 toneladas de resíduos processados mensalmente, desviando do aterro resíduos que gerariam custos, passivo ambiental e transporte desnecessário. São números que demonstram não apenas maturidade operacional mas também o potencial econômico que uma central comunitária de compostagem pode representar para a cidade.
Uma leira a mais, um custo a menos na despesa pública

Enviar resíduos ao aterro não é barato, envolve transporte, combustível, operação, manutenção da frota e do próprio aterro. Ao compostar de forma local cerca de 2,5 toneladas por mês, o LTO reduz parte desse custo e contribui para uma cidade mais inteligente do ponto de vista logístico. Isso significa dizer que quanto menos caminhões rodando, mais eficiente se torna o sistema de limpeza urbana.
Além disso, quanto mais resíduo vira composto ao invés de virar metano, menor é o passivo climático da cidade. Esse é um impacto econômico direto, mesmo que ainda não seja estruturado dentro do orçamento público.
Além do preço, a compostagem tem valor
Por trás de cada leira há horas de trabalho que vão além do manejo: a obtenção dos materiais estruturantes – palha e cepilho, a busca, a limpeza e a devolução das bombonas aos seus locais de coleta, monitoramento, drenagem, medição, registro, a manutenção do pátio de compostagem. Há formação técnica, planejamento operacional, organização comunitária e comunicação. Há esforço físico, conhecimento acumulado e um compromisso diário com o bem comum.

Esse trabalho existe hoje porque há pessoas dedicando tempo e energia, apoiadas por recursos temporários. Entretanto, é indispensável uma política alinhada com economia circular, mitigação climática e inclusão socioprodutiva, que garanta continuidade, estrutura e financiamento permanente para iniciativas como o LTO, que hoje operam com alto impacto e recursos temporários.
Sustentabilidade real se constrói com o trabalho ambiental reconhecido, valorizado e remunerado.
Camila Cabrera
Jornalista – MTB 16.528