Entre setembro e outubro, mais de 9 mil litros foram processados pela Central de Referência do LTO, o equivalente a 5,5 toneladas de materiais que deixaram de ir para o aterro sanitário
No coração do Campeche, um movimento silencioso mas potente vem transformando resíduo orgânico em recurso e fortalecendo a economia circular de Florianópolis. Na Central de Referência do Laboratório Terra Orgânica (LTO), a compostagem comunitária mostra, na prática, que pequenas ações locais têm grande impacto ambiental e social.
Realizando manejos semanais, que, entre setembro e outubro, processaram mais de 9 mil litros de resíduos, o equivalente a 5,5 toneladas de materiais deixaram de ir para o aterro sanitário. Esse volume corresponde ao processamento dos resíduos orgânicos de aproximadamente 600 pessoas por semana. Esses resíduos são gerados em residências, escolas e instituições sociais da região, e foram totalmente reaproveitados por meio da compostagem, gerando adubo utilizado posteriormente em hortas escolares e comunitárias e agroflorestas urbanas.

Utilizando como referência estudos brasileiros como o Inventário Nacional de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) – Setor de Resíduos, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, ao desviar esse volume de resíduos orgânicos do descarte convencional, o LTO evitou a emissão de aproximadamente 8 toneladas de CO² equivalente, considerando que cada tonelada de resíduo orgânico em decomposição em aterros libera em média 1,6 tonelada de gases de efeito estufa. Em outras palavras: a compostagem comunitária está ajudando ativamente a combater a crise climática, de forma descentralizada e participativa.
Mas o impacto vai além da redução de emissões. O LTO também é um espaço de educação ambiental e aprendizado contínuo, onde moradores, estudantes e voluntários se reúnem em torno de propósitos comuns: trabalhar com a terra, com as plantas, estar na natureza, aprender sobre agroecologia, compostagem, gestão de resíduos, economia circular. A cada semana, a cada mês, novas pessoas e histórias se somam ao pátio, que se reafirma em seu propósito de ser um laboratório vivo de autonomia em gestão de resíduos.
Atualmente a Central está finalizando a qualificação estrutural, com a impermeabilização e drenagem das leiras de compostagem, o que garante mais eficiência no processo, controle da umidade e proteção do solo e das águas subterrâneas. As melhorias fazem parte do projeto Compostagem Comunitária: Estruturação e Formação, executado com recursos de emenda parlamentar da Mandata Bem Viver através da Secretaria Municipal de Licitações, Contratos e Parcerias da Prefeitura de Florianópolis.
Camila Cabrera
Jornalista – MTB 16.528