Territórios da rede: conheça cada uma das iniciativas onde o LTO está transformando a gestão dos resíduos em Florianópolis

Três locais estratégicos da capital integram o projeto Implementação de Compostagem Comunitária e Fomento à Agricultura Urbana em Territórios Locais

Mais três sementes germinaram em Florianópolis o propósito do Laboratório Terra Orgânica (LTO) de transformar resíduos orgânicos em adubo e adubo em alimento: através da compostagem comunitária, do plantio agroecológico e de mutirões que envolvem toda a comunidade, a iniciativa está transformando a relação dos territórios sobre o descarte, e agora estão produzindo alimentos consumidos dentro dos próprios territórios.

Através das composteiras montadas em cada um dos espaços que se somaram à rede, hortaliças e legumes foram plantados com o composto gerado na composteira, e alimentos já estão sendo colhidos e consumidos nas comunidades. Alface, couve, beterraba, cebolinha. A agricultura cresce e ganha força, dando mais um passo na construção de soberania alimentar, autonomia comunitária e preservação dos recursos naturais.

Conheça aqui onde as atividades do LTO  estão sendo desenvolvidas em Florianópolis:

Escola Comunitária da Lagoa do Peri (ASMOPE)

A Escola Comunitária da Lagoa do Peri, mantida pela Associação de Moradores da Lagoa do Peri (ASMOPE), foi criada em 1986 para proporcionar às crianças de 2 a 6 anos da comunidade, um ambiente pedagógico significativo e prazeroso.

Atualmente a escola atende 42 crianças, que residem nas comunidades da Lagoa do Peri e do entorno, como Pântano do Sul, Costa de Cima, Costa de Dentro, Armação e Morro das Pedras. São realizadas atividades pedagógicas em turno integral, assegurando uma rotina saudável e segura tanto para as crianças quanto para as famílias, que podem trabalhar com tranquilidade enquanto seus filhos recebem atendimento pedagógico, afetivo e social. 

Com a chegada do projeto de compostagem, o trabalho de horta e de consciência ambiental que a escola já desenvolvia junto às crianças ganhou força e novas dimensões. O canteiro que abrigava um plantio sóbrio de algumas ervas ganhou a parceria de beterrabas, couves, tomates e alfaces. Além do ganho pedagógico pelo incremento de novas e de variedades de plantas, contribuindo para as atividades com as crianças, a escola ganha em alimentos, atenuando despesas.

Crianças participam do plantio na Escola Comunitária da Lagoa do Peri

A escolinha é um exemplo lindo de geração de alimento saudável e de verdade, sendo produzido no próprio quintal e com o envolvimento das crianças; da valorização dos resíduos orgânicos, transformando a relação das pessoas com o descarte; e do fortalecimento das ferramentas de atuação comunitária.

Casa de Passagem e Ponto de Cultura Goj Ta Sá

A Casa de Passagem e Ponto de Cultura Goj Ta Sá nasceu da luta de mais de 20 anos por dignidade na venda dos artesanatos indígenas durante as temporadas de verão em Florianópolis. Desde 2016, ao ocupar o terminal não utilizado no Saco dos Limões, a Goj Ta Sá oferece abrigo, apoio e acolhimento às populações indígenas em trânsito na cidade, além de um espaço de fortalecimento cultural e comunitário.

A horta no Goj Ta Sá já está produzindo alimento para as 14 famílias que vivem em caráter permanente no local

O projeto de implementação de compostagem e fomento à agricultura urbana potencializou o trabalho de compostagem que o LTO já vinha desenvolvendo há um ano junto ao território. O espaço ganhou uma horta, que já está produzindo alimento para as 14 famílias que vivem em caráter permanente no local. Além de abastecer a horta, o adubo gerado pela compostagem fortalece os mutirões das Quintas Agroecológicas, que integram coletivos diversos em práticas de plantio e educação ambiental com estudantes, professores, vizinhos e apoiadores.

Reconhecido pelo Governo Federal, o Ponto de Cultura Goj Ta Sá promove feiras, oficinas, apresentações culturais e constrói seu Mini Museu. É um espaço de convivência que compartilha saberes ancestrais e fortalece o turismo de base comunitária.

Projeto Social Vivendo e Aprendendo

Fundado em 2017, o Projeto Social Vivendo e Aprendendo atende cerca de 75 crianças com idades entre 05 a 15 anos da comunidade da Maloka, no bairro Capoeiras. No local são oferecidas aulas de futebol feminino e masculino, dança, jiu jitsu, capoeira, hip hop, educação digital e reforço escolar. O objetivo do projeto é oferecer oportunidades de desenvolvimento para crianças e adolescentes da comunidade, ampliando seus horizontes por meio de práticas esportivas e de expressão cultural. As atividades são realizadas de segunda a sábado, nos turnos da tarde e noite, e as crianças recebem alimentação no local. Em paralelo, um sopão é distribuído com alguma periodicidade.

A inclusão da compostagem comunitária no local, além de ampliar a oferta de conhecimento inserindo a pauta da sustentabilidade nas atividades, está produzindo alimentos que estão sendo servidos para a meninada e que também vão fortalecer o sopão. A horta se tornou um espaço de envolvimento das crianças com o plantio e de aprendizado sobre alimentação saudável. A destinação correta dos resíduos orgânicos também é fonte de aprendizado e de aproveitamento, trazendo mais conhecimentos sobre gestão de resíduos e reciclagem para a comunidade.

A horta no Vivendo e Aprendendo se tornou um espaço de envolvimento das crianças com o plantio e de aprendizado sobre alimentação saudável

A partir do plantio e da geração de adubo próprios, nasceu matéria prima e vontade de transformar a cara da comunidade, que apesar de carente de áreas verdes, dispõe de muitos muros, e o plano agora é replicar hortas verticais, espalhando o verde e convidando a comunidade a cuidar e utilizar desses recursos naturais que o cuidado com a natureza pode oferecer.

Camila Cabrera 
Jornalista MTB 16.528

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