A compostagem comunitária descentralizada, já testada e aprimorada pela LTO em diferentes territórios, se mostra como política pública complementar capaz de fortalecer a sustentabilidade urbana
Foram realizadas, entre os dias 19 de agosto e 01 de outubro, uma série de oficinas temáticas promovidas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável para a primeira revisão do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS). Participaram instituições públicas, empresas, associações, organizações da sociedade civil e pessoas interessadas no tema. A Associação Laboratório Terra Orgânica esteve presente, cooperando com sua experiência prática em compostagem comunitária e valorização de resíduos orgânicos.
A revisão do PMGIRS, momento em que a situação atual e a definição de novas metas para a gestão de resíduos do município está em debate, se apresenta como uma oportunidade crucial para o fortalecimento da compostagem comunitária como uma estratégia de engajamento social. A experiência da Associação mostra que quando as pessoas se envolvem ativamente no processo de segregação correta dos resíduos, participando e compreendendo o processo de compostagem através da vivência, a relação com o descarte muda e se estabelece como um hábito de forma natural e permanente.
Nesse sentido, a participação do LTO nas oficinas reforçou a importância de pensar a gestão de resíduos para além da coleta e destinação final, mas como política pública que promova ganhos ambientais e econômicos através da educação ambiental e do diálogo direto com metas ambientais do município, que se destaca nacionalmente como uma Capital Lixo Zero. O aspecto educativo da compostagem levou a Associação a desenvolver a compostagem comunitária em cinco escolas, em Florianópolis, São Paulo e Rio de Janeiro, visando a transformação cultural de crianças e adultos sobre a geração e gestão dos resíduos.
A compostagem comunitária também contribui significativamente para outros aspectos importantes na gestão municipal de resíduos, como o desvio do aterro sanitário, reduzindo custos e aumentando seu tempo de vida útil; na redução da contaminação de resíduos recicláveis, colaborando para a melhoria dos índices de reciclagem e fortalecendo uma economia circular de base local; e para o cumprimento da Lei Nº 10.501, de abril de 2019, que institui a obrigatoriedade da destinação ambientalmente adequada de resíduos sólidos orgânicos por meio dos processos de reciclagem e compostagem em Florianópolis.
O resultado final da elaboração de revisão do Plano deve ser divulgado em dezembro. Para o LTO, a compostagem comunitária cada vez mais se demonstra como uma potente política pública complementar que aproxima as pessoas de práticas mais sustentáveis, da educação ambiental e da economia circular, e que tem relevância para que seja reconhecida como um pilar estruturante do futuro sustentável que Florianópolis quer alcançar.
Camila Cabrera
Jornalista – MTB 16.528