Hortas comunitárias já produzem alimentos que colorem o prato da criançada

O viço das colheitas que já estão acontecendo nos territórios do projeto, é reflexo de um trabalho comunitário cheio de amor e de cuidado com a terra e com as pessoas  

Se tem uma atividade doméstica que a maioria das pessoas gosta é a de ter em casa um tempero fresco ou uma hortaliça para a salada, que colheu na própria horta na hora que está preparando a refeição. Além de ter o alimento fresco, existe a satisfação de ter vivido todas as etapas daquela plantinha: a preparação da terra e do berço em que ela foi recebida, adubação, rega, manutenção com a retirada das plantas espontâneas (que são aquelas que crescem naturalmente e que não são as do cultivo). 

Os territórios que fazem parte do projeto de fomento à agricultura urbana do Laboratório Terra Orgânica já colhem as primeiras hortaliças dos plantios das hortas comunitárias. O processo que começou em julho com a preparação dos espaços e dos canteiros, e a instalação e operação das composteiras, já produzem alimentos que estão colorindo a alimentação das crianças. 

Nos dois locais que operam espaços de ensino (Escola Comunitária da Lagoa do Peri e Projeto Social Vivendo e Aprendendo), o envolvimento das turmas com o plantio foi uma etapa importante do trabalho de educação ambiental. Além do sentido de alimentação saudável, as crianças podem aprender sobre o tempo de espera, questão importante para essa geração que nasceu em uma era tão digitalizada e de instantaneidade para quase tudo. Além disso, para ver as plantinhas crescerem e virarem alimento, é necessário cuidar delas e da terra: regar, adubar, manter o canteiro limpo. Tudo isso é ensinamento e aprendizado, que se solidifica em cada criança quando as estruturas que sustentam essas práticas se fortalecem e se multiplicam. 

No Goj Ta Sá, as 14 famílias que vivem em caráter permanente já se alimentam da produção da horta, que possui proporção mais robusta em relação às escolas, tanto por ter mais espaço para fazer plantio, quanto por estar inserida no local de moradia de muitas pessoas. Tomate, couve, repolho, pimentão, variedades de alface, cebolinha, beterraba, abóbora, temperos e ervas: a diversidade do plantio reflete a realidade da comunidade, que consolidou a agricultura urbana como uma fonte segura, rica e própria de alimentos para as cerca de 60 pessoas que vivem hoje no local. 

No mesmo passo em que contribuímos com a segurança alimentar de 14 famílias vulneráveis produzindo alimentos frescos e saudáveis, e reduzindo desperdício de tempo e dinheiro com perdas de transporte, alcançamos os mesmos objetivos juntos às escolas, e adicionamos nessa receita o sabor reconfortante da educação e da conscientização ambiental. 

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